terça-feira, 8 de março de 2011

lisboa baixa 07 de mar 2011


hoje acordei sem saber o que ia fazer hoje. não há aulas, o governo deu ponte. é véspera de carnaval. os telejornais e a internet dão chuva para estes dias, mas até hoje, pouca chuva apareceu.

ainda na cama, indecisa: tratar de papelada nas finanças, coisa chata; tratar da vacina do tétano que já devia ter feito há 2 anos, muito chato! ou dar uma volta pelo chiado, para desenhar no meu caderno este diário gráfico. bom, metade do país fez ponte, ninguém vai para fora com os preços altos da gasolina. vão todos tratar de papelada e ir ao centro de saúde... pronto, decidi, vou com o meu caderno até ao centro da cidade. tenho toda a manhã só para mim, combino cinema às 13h e até lá, apanho o eléctrico...
é tão raro apanhar transportes agora. toda a minha vida andei de transportes, mas desde que fui morar para campo de ourique, o acesso é mais complicado, por isso deixei os transportes públicos e experimentei, por uns tempos, andar de bicicleta. o problema é que os condutores não têm respeito nenhum pelos ciclistas. assim, não tive outra alternativa, se não a de andar de carro, todos os dias, 10 minutos para belém e mais 10 min para casa.

mas, hoje, o carro fica na garagem. vou de turista. o caderno, o lápis e as aguarelas serão a minha máquina fotográfica de lisboa. apanho o eléctrico 28 nos prazeres, ainda vai vazio, tenho uma boa vista e dá para fazer um desenho.

Saio antes do largo de camões, na calçada do combro para espreitar a bica. acho aquela rua fantástica, uma marca de lisboa: a longa rua que desce e sobe infinitamente, como um vale, e as paredes dos prédios com varandas pequenas cheias de plantas e estendais com lençóis.
quero um café... há tantos sítios, olho para o quiosque "o refresco". o dia não está frio, peço um café de 60 cêntimos e fico numa mesa mais afastada para poder ter uma perspectiva melhor para desenhar o quiosque.

sinto-me feliz quando desenho. reparo que há mais pessoas aqui como eu, com um caderno, canetas e aguarelas, uns são estrangeiros e outros têm os seus traços portugueses. cada um no seu lugar, parecem pessoas solitárias. desenhar tem de ser um momento a sós.

bebo o café frio. esqueci-me dele, concentrada no meu esboço. levanto-me e faço outra paragem, o café brasileira, onde todos os turistas gostam de se sentar ao colo do fernando pessoa. 

faço uma pausa, guardo o material na mochila e visito livrarias. folheio algumas páginas e regresso à rua. procuro a faculdade de belas artes, mas está fechada. percorro as ruas. de facto, lisboa é bonita, tem o seu estilo, diferente do resto da europa.
estou numa das ruas da baixa. encosto-me e decido fazer o desenho do elevador do carmo para ver o que dá...

o tempo começa a esgotar-se. o cinema não espera, mas ainda paro na confeitaria nacional, na praça da figueira. aquilo é a minha infância, onde ia com os meus pais comer uma fatia húngara, uma delícia. peço uma fatia e saio, estava cheio. 

sento-me num banco de pedra frio no largo do rossio, dou uma dentada na minha fatia e enquanto digiro o bolo, faço outro esboço, a fonte de água e o fundo.

o tempo não dá para mais, apanho o metro e vou para o cinema com a minha companhia de vida.
mas a lisboa, para desenhar, voltarei sempre...

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